12/02/2014 | 19h14m

Demanda reprimida

Azul e prefeitura de Lages, na Serra de SC, negociam voo diário para São Paulo

Importante cidade catarinense não tem linha para a maior do Brasil há mais de uma década

Azul não confirma, mas o voo a São Paulo deve ser feito em um avião modelo ATR para 70 pessoas

Azul não confirma, mas o voo a São Paulo deve ser feito em um avião modelo ATR para 70 pessoasGianfranco Panda Beting,Azul Linhas Aéreas / Divulgação

Uma das maiores cidades de Santa Catarina está prestes a contar com um voo diário para a maior cidade do Brasil. Lages, na Serra, não tem uma linha direta com São Paulo há mais de 10 anos, mas essa antiga carência pode estar com os dias contados.

A prefeitura e a Azul Linhas Aéreas negociam a implantação do serviço já há algum tempo. No último dia 6, o prefeito de Lages, Elizeu Mattos, participou em Brasília de uma reunião com o diretor institucional da companhia, Victor Rafael Rezende Celestino.

No encontro, promovido pelo senador Luiz Henrique da Silveira, o dirigente da Azul teria reiterado o compromisso de operar em Lages e dito que a empresa aguarda apenas a efetiva implantação do programa de desenvolvimento da aviação lançado em dezembro de 2012 pelo governo federal e que prevê até R$ 1 bilhão por ano em subsídios aos voos regionais. 

— Lages foi incluída no programa e está com o aeroporto pronto para operar. Falta só a liberação dos subsídios, que darão vida aos voos regionais. A Azul vem. Já é uma decisão da companhia, e não apenas uma intenção. Em um raio de 150 quilômetros de Lages são mais de 700 mil habitantes, e há demanda para voar a São Paulo —, diz o prefeito Elizeu Mattos.

Procurada pela reportagem do Diário Catarinense, a Azul, por meio da sua assessoria de imprensa, em São Paulo, se limitou a informar que não tem uma definição sobre as suas operações em Lages.

O prefeito Elizeu garante, porém, já estar definido que inicialmente será oferecido um voo diário em um avião modelo ATR com capacidade para 70 pessoas. A frequência não foi discutida, mas o preço da tarifa seria menor que o da viagem entre Florianópolis e São Paulo. Segundo o prefeito, a Azul não exige uma cota mínima de passagens por mês para operar em Lages.

Instável e cara, Brava Linhas Aéreas pode perder espaço

O prefeito de Lages deixa claro que não quer correr o risco de a cidade ficar sem voos a São Paulo por ainda mais tempo caso aposte as suas fichas em uma companhia que não lhe dê segurança e regularidade.

A Brava Linhas Aéreas, que operou em Lages por duas ocasiões com voos a Florianópolis e parou por falta de demanda - a última vez no segundo semestre do ano passado -, pretende criar um voo diário para São Paulo nos próximos meses em um avião para 30 pessoas.

O problema, conforme disse o próprio presidente da Brava, Jorge Barouki, em entrevista concedida no início deste mês ao DC, é que essa linha depende de um investimento mínimo de R$ 1,5 milhão, e ele não teria como gastar todo esse dinheiro sozinho. Barouki cobrou ajuda financeira do governo do Estado, que negou ter prometido à empresa o almejado suporte. 

— Tenho que dar vida ao nosso aeroporto, mas para isso preciso trazer empresas grandes e ter segurança e regularidade. Queremos ir para São Paulo e fazer conexão para qualquer lugar. Não posso correr o risco de ficar mais 10 anos sem voos para São Paulo —, conclui o prefeito Elizeu Mattos.